Comissão de Meio Ambiente verifica condições da Lagoa da Petrobras

A Visita da Comissão de Meio Ambiente

Na manhã de quinta-feira, 9 de abril de 2026, a Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) se reuniu para uma visita técnica na Lagoa da Petrobras. Esta lagoa, situada na fronteira entre Betim, Ibirité e Sarzedo, em um dos municípios da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), sofreu graves consequências ambientais e de degradação ao longo dos anos.

O objetivo principal da visita foi examinar a condição atual da lagoa, que tem enfrentado muitos problemas, como a poluição e a proliferação de aguapés. O ponto de encontro da visita foi o vertedouro da lagoa, localizado na Rodovia MG-040, Km 29, sentido Ibirité/Sarzedo. Tal iniciativa foi solicitada pela deputada Ione Pinheiro (DEM), que ocupa a vice-presidência da comissão.

Situação Atual da Lagoa

Atualmente, a Lagoa da Petrobras enfrenta uma intensa degradação, com cerca de 70% de seu espelho d’água afetado pelo assoreamento e pela invasão de aguapés. Estes vegetais, comum em ambientes aquáticos, proliferam em condições de poluição, especialmente quando há efluentes industriais e esgoto tratado inadequadamente despejados no local, resultantes da ocupação desordenada e do crescimento urbano ao redor da lagoa.

Lagoa da Petrobras

Além da poluição visível, a comissão também busca investigar e discutir com a Refinaria Gabriel Passos (Regap) quais ações estão sendo implementadas para amenizar os impactos na lagoa. O convite foi estendido a representantes da Regap para que participassem da visita, a fim de que apresentem as medidas planejadas e em execução para resolver os problemas ambientais e de saúde pública na região.

Impactos Ambientais na Região

A degradação da Lagoa da Petrobras traz consequências diretas para a saúde de milhares de pessoas que residem nas áreas circunvizinhas. Nos últimos anos, a lagoa, que um dia foi reconhecida como um local de lazer e turismo, transformou-se em um espaço poluído, causando sérios riscos ambientais. A contaminação da água e a presença dos aguapés bem como do lodo, criam um ambiente propício para o surgimento de doenças.

Um ponto alarmante é que a poluição não afeta apenas a qualidade da água, mas também o solo, dado que áreas adjacentes, onde antes havia água, agora estão assoreadas e servem como pasto para animais criados por moradores locais, como vacas e galinhas. Esses animais, expostos a áreas contaminadas, tornam-se potencialmente um veículo de propagação de doenças, afetando ainda mais a saúde da população.

Ações para Recuperação da Lagoa

A ALMG, por meio de sua Comissão de Meio Ambiente, já promoveu diversas audiências públicas e visitas de fiscalização à Lagoa da Petrobras durante os últimos anos, em um esforço para encontrar soluções para a crise ambiental ali instaurada. Um dos projetos impulsionados por essa comissão é o Projeto Aquasmart, que possui como objetivo a limpeza total do espelho d’água até o final de 2025. No entanto, a efetividade e cumprimento desse prazo ainda são questionados, visto que os resultados até agora não foram satisfatórios.

Durante as visitas realizadas em abril e maio de 2024, além da remoção dos aguapés, os membros da comissão observaram a necessidade de ações mais integradas entre os órgãos responsáveis pela gestão de resíduos e tratamento de esgoto, uma vez que os esforços em curso parecem ser insuficientes.

Contribuições da Refinaria Gabriel Passos

A Refinaria Gabriel Passos, localizada em Betim e pertencente à Petrobras, é uma das principais instituições que deve assumir a responsabilidade pelos impactos causados na Lagoa da Petrobras. A empresa foi convocada a explicar quais iniciativas estão sendo adotadas para mitigar as emissões de efluentes que têm afetado a qualidade da água da lagoa.



Nos últimos anos, a Regap enfrentou diversas autuações por parte dos órgãos ambientais devido à sua ineficiência no cumprimento das normas de gestão de efluentes líquidos. A deputada Ione Pinheiro menciona que a falta de soluções práticas e eficientes deve ser amplamente discutida, uma vez que a compensação dos danos ambientais e sociais precisa ser priorizada.

Desafios do Tratamento de Esgoto

A luta contra a poluição e o tratamento do esgoto em áreas urbanas limitadas como essas é um desafio constante. O Marco Legal do Saneamento Básico, sancionado em 2020, estabelece um prazo final de 2033 para garantir acesso universal à água potável e ao tratamento de esgoto em todo o Brasil. No entanto, a despeito dessa legislação, a efetivação de ações práticas parece estar longe de acontecer.

De acordo com a deputada, a coleta e o tratamento de esgoto na região estão apenas parcialmente cobertos, com cerca de 50% do esgoto da região sendo tratado. Esse cenário exige uma mobilização urgente e eficaz dos poderes locais e do governo estadual, a fim de alcançar as metas estabelecidas.

Histórico da Lagoa da Petrobras

A Lagoa da Petrobras foi originalmente criada no final da década de 1960 para abastecer as atividades da refinaria, mas ao longo do tempo se tornou um espaço de entretenimento e lazer, atraindo visitantes e moradores da região. Com o passar dos anos e a exploração crescente da área urbana ao redor, a qualidade da água e do ambiente foi deteriorando-se. O que era um local de beleza natural e descanso agora é sinônimo de degradação.

Conforme o histórico de suas condições atuais, a lagoa passou a ser um símbolo da luta por justiça ambiental, mobilizando não apenas os parlamentares, mas também a comunidade local, que busca soluções para preservar o que resta desse importante recurso hídrico.

Expectativas para o Futuro

As expectativas futuras para a Lagoa da Petrobras dependem de um esforço conjunto entre as autoridades públicas e a sociedade civil. Existe uma necessidade urgentíssima de implementar políticas efetivas de recuperação da lagoa, que não apenas incluam a limpeza, mas também medidas de prevenção contra novos impactos ambientais.

A mobilização da comunidade local se torna essencial nesse processo. Campanhas de conscientização, reforço da participação popular e a promoção do envolvimento dos cidadãos nas decisões sobre o futuro da lagoa são elementos chave para garantir que as necessidades da população sejam atendidas.

Mobilização da Comunidade Local

Nos últimos anos, a comunidade tem sido cada vez mais engajada nas discussões sobre a recuperação da Lagoa da Petrobras. Grupos de ativistas e cidadãos comuns têm se reunido em várias discussões, audiências e reuniões para trazer à tona as demandas locais e exigir soluções proativas para a crise ambiental enfrentada.

A mobilização de lideranças comunitárias e organizações não governamentais tem proporcionado maior visibilidade ao problema, sendo vital para a conscientização dos impactos que a degradação da lagoa provoca, tanto na saúde como no bem-estar das comunidades vizinhas.

Legislação e Saneamento Básico

A legislação em vigor, especialmente o Marco Legal do Saneamento Básico, possui um papel fundamental no direcionamento das políticas de saneamento no Brasil. Através dela, os municípios devem ser responsabilizados por garantir a implementação de serviços adequados de água e esgoto. É essencial que o poder público atue em conformidade com essa legislação, a fim de evitar que áreas como a lagoa continuem a ser negligenciadas.

Com a pressão social e uma legislação clara, espera-se que a Lagoa da Petrobras possa ter um caminho de recuperação, onde ações eficazes de tratamento de esgoto e destinação de efluentes possam ser implementadas para restaurar a qualidade da água e, consequentemente, a saúde e o bem-estar da população atravessada pelo seu entorno.



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