Elas transformam móveis escolares usados que virariam sucata em peças prontas para voltar às salas de aula

A Trajetória da Reescola

A Reescola nasceu a partir de uma combinação de experiências em biotecnologia e marketing, surgindo como uma resposta a um problema recorrente no ambiente escolar: a gestão dos móveis escolares em desuso. Com o objetivo de transformar a realidade do descarte inadequado desses itens, a startup foi fundada por Laura Camargos Pimenta e Izabela Bazo, duas empreendedoras que se juntaram para reindustrializar móveis usados, transformando o que poderia acabar como sucata em conjuntos úteis para escolas.

Fundada em outubro de 2024, a Reescola começou com um pequeno espaço de 20 metros quadrados em Franca (SP). O crescimento foi rápido e, em menos de dois anos, a empresa expandiu para uma instalação de 2.500 metros quadrados e formou uma equipe de dez colaboradores, já tendo entregue mais de 10 mil conjuntos a 300 instituições educacionais.

A Importância da Economia Circular

A Reescola se posiciona no mercado com uma proposta centrada na economia circular, visando não apenas a redução de custos, mas também a minimização do impacto ambiental associado à fabricação de novos móveis. O modelo adotado envolve a compra e recuperação de móveis que seguem as normas do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), garantindo a qualidade e a ergonomia dos produtos oferecidos.

móveis escolares reindustrializados

Como Funciona o Processo de Reindustrialização

O processo de reindustrialização é metódico e eficiente. Tudo começa com a triagem dos móveis recebidos, onde itens danificados estruturalmente são descartados. As etapas do processo incluem:

  • Higienização: Limpeza minuciosa e remoção de sujeiras e contaminantes.
  • Decapagem das Ferragens: A retirada de tinta e ferrugem prepara o material para nova pintura.
  • Pintura: Aplicação de duas camadas de pintura para garantir durabilidade.
  • Fabricação de Novos Tampos: Produção de tampos novos em MDF, que são essenciais para a estrutura dos móveis.
  • Recuperação de Peças Plásticas: Em parceria com fábricas, assentos e encostos são recuperados ou substituídos, conforme necessário.

Após todas essas etapas, os móveis são montados e ficam prontos para serem entregues, transformando-se em peças funcionais para o ambiente escolar.

Os Benefícios da Reindustrialização de Móveis

A reindustrialização não só gera uma economia significativa para as instituições, como também promove um impacto ambiental positivo. A Reescola oferece uma redução de até 50% nos custos em comparação aos móveis novos, com preços a partir de R$ 259,99 por conjunto, enquanto a média para produtos novos varia de R$ 400 a R$ 600.



Este modelo permite ainda que as escolas invistam mais em educação e tecnologia, pois a economia gerada pode ser revertida para melhorar a qualidade do ensino.

Qualidade e Padrão nos Móveis Reindustrializados

Um dos pilares da Reescola é a manutenção de um padrão elevado na qualidade dos produtos. Para garantir que cada móvel entregue esteja em conformidade com as normas vigentes, a startup somente compra móveis que seguem as diretrizes do FNDE. Isso garante não apenas a durabilidade, mas também a adequação dos tamanhos e a ergonomia necessária para ambientes escolares.

Redução de Custos para Instituições de Ensino

Como mencionado, a proposta da Reescola é fortalecer as instituições de ensino em suas demandas por mobiliário. A média de pedidos costuma ficar em torno de 50 conjuntos, com um pedido mínimo de 30. O prazo de entrega gira em torno de 60 dias, e a maioria dos clientes está presente no setor privado de educação, especialmente em Minas Gerais e São Paulo.

O Papel da Reescola na Sustentabilidade

Além dos benefícios financeiros, a Reescola também se destaca pela contribuição ambiental significativa. A empresa estima que seu modelo tenha evitado a emissão de mais de 14 toneladas de CO2 nos últimos dois anos. Esse número é calculado com base no peso do metal reaproveitado e nas emissões típicas geradas pela produção de novos móveis.

Superando Barreiras no Mercado Educacional

Apesar do crescente interesse que a Reescola atrai de investidores, principalmente por meio de seu valuation de 5 milhões de reais, a maior dificuldade ainda é educar o mercado sobre a viabilidade e os benefícios do mobiliário seminovo com um padrão industrial.

As escolas costumam estar mais habituadas à compra de móveis novos, criando uma barreira para a adoção de novos modelos. Para contornar isso, a Reescola se dedica a um trabalho educativo intenso, mostrando a qualidade e a eficácia de seus produtos.

Cases de Sucesso da Reescola

A Reescola já atendeu a diversas instituições educacionais reconhecidas, como o Colégio Deo Volente em São Paulo, o Colégio Piaget em Franca (SP), o Colégio Cristão em Montes Claros (MG) e o Colégio Interagir em Ibirité (MG). Cada um desses cases demonstra a eficácia do modelo proposto e a satisfação dos clientes com a qualidade dos móveis fornecidos.

O Futuro dos Móveis Escolares no Brasil

A perspectiva para o futuro é animadora, tanto para a Reescola quanto para o mercado de móveis escolares como um todo. Com a crescente conscientização sobre a economia circular e a sustentabilidade, espera-se que mais instituições se interessem por soluções de reindustrialização.

O desenvolvimento de franquias é uma das estratégias que a Reescola está adotando, permitindo que unidades próximas a clientes potenciais possam demonstrar coletivamente a qualidade de seus móveis. Essa abordagem deve ajudar a solidificar a presença da Reescola no mercado e crescer sua rede de impacto positivo dentro da educação no Brasil.



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