O Projeto Vem Viver promove ações de agroecologia e mobilização comunitária no entorno da Lagoa de Ibirité, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Segundo a iniciativa, a proposta é contribuir para transformar as condições socioambientais da região.
Iniciado em maio de 2025, o projeto reúne a Rede de Intercâmbio de Tecnologias Alternativas (Rede) e o coletivo Marias Vão Com as Outras, Sim!, com parceria da Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental.
As atividades envolvem moradores de Sarzedo, Ibirité e Betim e estão previstas para ocorrer ao longo de três anos, até abril de 2028. O coletivo parceiro é formado por mulheres de Sarzedo e surgiu em 2021, durante a pandemia.

De acordo com a Rede, a iniciativa inclui educação ambiental, recuperação de áreas e práticas sustentáveis, além de tecnologias sociais. A atuação também se conecta às ações comunitárias e de geração de renda desenvolvidas pelas mulheres do coletivo.
Ações do Vem Viver já mobilizaram moradores e estudantes
Desde o início das atividades, o Projeto Vem Viver plantou mais de 700 mudas em aproximadamente 10 mil metros quadrados de Sistemas Agroflorestais (SAFs), segundo dados da iniciativa. As áreas combinam o cultivo de árvores com práticas de produção sustentável.
O projeto também realizou 22 oficinas de educação ambiental para cerca de 2.000 estudantes do ensino fundamental e médio da rede pública. As atividades aproximam os conteúdos ambientais das escolas de Sarzedo, Ibirité e Betim.
Além das ações com estudantes, mais de 300 pessoas dos três municípios foram mobilizadas. A agroecologia em Ibirité integra, assim, atividades educativas e iniciativas de recuperação ambiental desenvolvidas no território.
Parceria reúne agroecologia e tecnologias sociais
Entre as ações previstas estão a implantação de sistemas agroflorestais e quintais produtivos, além de saneamento ecológico, compostagem e formação de promotores de agroecologia. O projeto também prevê atividades de educação ambiental com escolas e moradores da região.
A técnica em agroecologia da Rede, Laura Barroso, explica que a organização surgiu propondo alternativas ao modelo agrícola baseado em monoculturas e no uso intensivo de insumos químicos. Ela relaciona a agroecologia a práticas antigas de agricultura sem veneno e com diversidade de cultivos.
Tanques de evapotranspiração para tratamento ecológico de resíduos sanitários e composteiras estão entre as tecnologias sociais previstas. Segundo Laura, a compostagem permite aproveitar resíduos orgânicos e produzir adubação natural.
Coletivo de mulheres fortalece economia solidária em Sarzedo
Em Sarzedo, as Marias Vão Com as Outras, Sim! organizam ações de agroecologia, costura criativa e artesanato sustentável. O coletivo surgiu em um município marcado pela mineração e pela escassez de oportunidades para as mulheres, conforme relatado pela coordenadora administrativa, Nilce Nicácio.
As primeiras iniciativas incluíram campanhas de arrecadação de alimentos e distribuição de cestas básicas para mulheres afetadas pelo desemprego e pela perda de vínculos durante a pandemia. O grupo também estabeleceu parceria com uma associação de catadores do município.
Com o tempo, as participantes passaram a desenvolver hortas comunitárias, produção de mudas, costura criativa, artesanato sustentável e mutirões de plantio. As atividades ocorrem em um espaço cedido pela Sociedade São Vicente de Paulo, onde funciona o Centro de Educação Ambiental Vem Viver.
O Centro recebe estudantes, pesquisadores, organizações e moradores interessados em conhecer práticas de agroecologia, compostagem, produção de mudas e sistemas agroflorestais. Nas feiras, os produtos feitos pelas participantes são comercializados, e parte da receita retorna às mulheres responsáveis pela produção.


